O Cavaleiro Preso Na Armadura Now

Pois o verdadeiro cativeiro não é o ferro. É a certeza de que, sem ele, não se é ninguém.

Mas o cavalo parou. O castelo ficou para trás. E ele, tão pesado, não conseguia descer sozinho. o cavaleiro preso na armadura

A viseira baixou sozinha, um dia, sem que ele percebesse. Já não via o brilho do sol, só o reflexo turvo do aço. Já não ouvia a voz dos outros, só o eco do próprio ar que escapava pelas frestas. Pois o verdadeiro cativeiro não é o ferro

Até que um dia, um simples menino perguntou: — Por que você não tira isso? E o cavaleiro quis responder, mas o som saiu como chave enferrujada. Percebeu, então, que a armadura não o protegia mais. Ela o definia. E definia também a sua solidão. O castelo ficou para trás

A armadura, que um dia foi escudo, virou cela. Cada placa, uma mentira que ele repetiu até virar verdade: — Estou bem. — Sei o que faço. — Não preciso de ninguém.